segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Lancei-te uma estrada até mim
como se todas as coisas fossem
barro nas minhas mãos.

Um dia foste feliz,
num outro, recordação.

Percorreste o caminho
onde nos distanciámos,
onde os Deuses habitam
proibido para mim.

Ainda te trago
em memórias que não esqueci,
ponto de viragem na minha história,
ponto distante num cais de despedida.


Tento aceitar a última lembrança que tenho de ti - confiaste em mim como se fosse possível dar-te um prado para correres.

(fiquei só, afogada em lágrimas, sem alento pela decisão que precisei de tomar - o teu desaparecimento)

Queria-te imortal mas apercebi-me que também os Deuses te queriam.

Queria uma vida eterna onde sempre estaríamos juntas mas as cordas de uma guitarra cantaram para ti um fado novo.

Para a Ema

Fez um ano que nos deixaste. Foste para outra existência onde nos encontramos em sonhos, no acender de uma vela, numa memória nossa.

Gostava de dizer que tudo está bem - não o consigo, vejo-te em cada esquina de orelhas espetadas, a tua cara sorridente como se algum dos meus gestos fossem divertidos para ti.

Já não te choro - antes uma dor de saudades.

Ainda recordo o último passeio que demos, a última festa que te dei, o abraço que ficou para a eternidade.

Estás longe, tão longe que não encontro o caminho para ti. Sobra uma mágoa que não desaparece e eu que procuro tanto libertar-te para que encontres a tua nova existência.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Disseste três,
eram trinta os mantos
onde escondeste o que sentias.

(haverá espaço no espaço para o que querias dizer?)

Disseram-me - é assim,
como se todas as coisas
fizessem parte de mim.

Disseste-me - sou assim,
barco desgovernado
num mar encarpado,
destino para mim.
Vem, dá-me a mão,
não revejas a estrada
há muito calcarroada,
fonte de algum cansaço,
horas há muito passadas.

Vem, não percas a primeira geada,
onde os rebentos ocultam a sua hora,
as árvores estão em silêncio
para que possas ouvir
o momento de agora.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Há sorrisos que se esquecem,
perdem-se em histórias
onde já ninguém mora.

Há outros
que de tanta espera
cedo desaparecem.

Ainda os há
dos poucos escolhidos,
por vezes de desconhecidos,
onde reside a entrega.


segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Casei três vezes,
três vezes recolhi,
amei mais três,
nunca me vi.