quinta-feira, 24 de maio de 2018

Ontem era o dia de todas as coisas. Ergui os braços abraçando ideias perdidas. Fui cor, água escondida, uma ave altiva. Fui tantas vidas.

Sonhei. Onde te via distante, corpo acelerado, toque nunca consumado.

Quando o piano tocava, esvoaçava tentando encontrar-te. Foste notas, melodias, semi-breves na minha vida.

Resta-me um espaço perdido onde tento encontrar um qualquer horizonte.

Lentamente estendo as asas
- há no movimento a suavidade
do nascer do sol no quente verão.
Sei-me perdida com a ausência
das vozes de árvores antigas.
Entrego-me ao meu fado
pedindo guitarras portuguesas.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Toco suavemente nas mãos
- desapareceram os heróis antigos,
a força do destino,
a canção do Início.

Lenta a paisagem
por onde sobrevoo,
tenho liberdade no voo,
o corpo tolhido pelo assombro.

Tenho fé antiga.
Olho-te como nunca o tinha feito. Tens os contornos que me abraçam na noite, a voz calma que me sossega,o sorriso quente que indicam uma longa sabedoria. Penso-te tanto, nas vezes que me aninhava no teu abraço deixando que todas as amarguras duras esvoaçassem levemente. Da partilha dos meus sonhos, no anseio da tua segurança. Sim, sonhei também com segurança,  como se em todos os caminhos estivesses lá. Sonhei-a acreditando que me a estendias. Devia ter percebido que apenas não podias. E senti-me traída .

terça-feira, 13 de março de 2018

Saudei a distância
como se fosse água
em tempo de privação.

Queria um caminho,
passos em contínuo,
tempo de sublimação.

Sobra-me um passado
que se esconde nas esquinas,
voraz em todas as medidas
deixando as flores enperdenidas.

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Sobrou na mesa a tua ausência
carregada da distância
entre as mãos que não se cruzaram.
"É a vida", dizem
imagem integrável nos prados,
na ausência de novos sóis.

"É a vida", dizem
esquecendo as promessas escondidas.

Não, não é a vida,
criando um fado
nunca a ser vivido.

Não, não sou a vida
que te prometeram.

Não,
somente sozinha
no mar que não se deu.



terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Fui ao mar encontrar o teu amor,
água salgada que fere os meus lábios,
desenhei numa concha o meu coração
pensando que virias ao meu encontro.
Não vieste nessa madrugada,
preenchi a minha alma abandonada
com restos de castelos erguidos
alheios aos meus sentidos.
Vento da minha memória
não tragas mais recordações
desse passado malfadado
gemido de guitarra que não é tocada.